Ato sobre o calor que faz com que os corpos fiquem com um leve brilho de suor

Ato sobre o calor que faz com que os corpos fiquem com um leve brilho de suor

Já será meia-noite no meu relógio e percebi uma coisa, que minha vida – do ângulo do qual vejo de dentro da minha cabeça – pode ser comparada com alguns destes contos do Machado de Assis. Que hora mágica esta em que vivo neste exato momento, em alguma outra parte do mundo o sol esta em pico, meio-dia. E a cada hora que passa pode-se supor que em algum lugar do nosso planeta está amanhecendo.

Depois de escrever este primeiro parágrafo o reli e reescrevi várias vezes, fiz como mandou o homem da propaganda que passa na televisão. -“É preciso escrever um poema várias e várias vezes, para que dê a impressão de que foi escrito pela primeira vez.”- Tudo bem, sei que não foi um poema o que acabo de escrever mas existe mágia nele. Mágia é o que existe em poemas, em coisas poéticas, coisas bonitas de se ler. Com estas duas afirmações podemos concluir que o que acabo de escrever é na verdade uma coisa bonita de se ler. Sou feliz com isto.

Se a pessoa que está lendo este compartilhamento de pensamentos inúteis ainda não dormiu, então espero que fique satisfeita com o que vem a seguir. Aquilo que contarei é uma reprodução da conversa que tive mentalmente com alguém – e eu tive várias vezes esta mesma conversa com outras pessoas – que neste momento não me sai da cabeça em consequencia de que hoje está quente, chovendo e ele não sai da minha cabeça pois me lembro que o clima estava assim a primeira vez o que o vi. Não que todo o momento relembre disto – juro que não – mas no final de semana eu contei esta história para uma pessoa e penso que ele achou engraçada,  espero estar certa.

Sempre que acontecem diálogos assim somente solto tudo que penso e a pessoa em minha frente fica calada com uma cara de paisagem, mas ela também sempre demonstra um carinho imaginário por menor que seja. É tão comovente as palavras que saem, a energia que ela possuem são capazes de fazer com que quem as escute sinta-as e no final transfome aquela expressão enigmatica de individualismo em um sorriso apaixonado e sincero. Claro que tudo será mais interessante dentro da que cria coisas que não existe, mas a possibilidade desta situação existir é muito excitante.

O QUE FOI DITO EM UMA SITUAÇÃO INEXISTENTE

Estamos sentados de frente para a praça. A chuva diminuiu, mas o calor não, e estamo há horas sentados conversando sobre os mais diversos assuntos quando chega um momento oportuno em que posso expressar o que sinto em relação ao calor e posso exemplificar uma coisa que busco continuamente.

– Sabe aqueles filmes em que aparecem pessoas em festas ou simplesmente as mostra dançando, sorriando, mas o mais magnifico de tudo é o brilho leve de suor do corpo deles enquanto se movem as vezes em câmera lenta e as vezes rápido demais? Lembra da felicidade que o rosto delas exprime? É quase que possivel sentir o calor que eles sentem, mas não é como este calor que sentimos agora, eles estão tão alucinados e êxtasiados de felicidade que não se importam. Esta sensação é um primor! Tenho certeza já a senti, talvez não nesta vida ou até mesmo já, mas o fato é que busco por ela constantemente. O brilho¹ deles não é consequencia de drogas ou bebida, é algo que a energia daquele momento proporcionou para aquelas pessoas, pode-se comparar ao divino. O livro de Jack Korouac – On the road – possui uma frase assim, “nós transavamos em outros nívies de loucura”, minha maneira de analisar esta frase seria não em sua maneira bruta em que a palavra transar se refere a sexo, mas no conceito de que na verdade se refere a toda esta situação calorosa da venho falando no principio, esta energia divina produzida pela felicidade. Este nível só pode ser alcançado involuntariamente. Me lembrei neste exato momento de uma situação em que o senti e é muito difícil descrever mas posso resumir em p que foi um dia em que bebi estava muito feliz, estava com amigos que havia acabado de fazer e estavamos brindando á vida e dando graças pela oportunidade que havia feito com que nós nos encontrassemos, brindava a tudo na verdade! e ensinei uma coisa para todos os que estavam comigo naquela noite, brindar e não beber é falta de educação, – sejamos educados então por favor! – , e concluia esta frase brindando outra vez. Tenho uma fotografia esculpida em minha mente desde momento e talvez não tenha sido tão mágico assim como eu me lembre, mas na minha memória está assim de perfeito. O calor, a noite, a umidade do ar, a música alta de fundo, a agitação, a situação de celebração em si, a compania, a atenção. Gostaria de encontrar uma fórmula fácil para chegar a esse nível de loucura², de preferencia sem ajuda de entorpecentes. Talvez se eu buscasse em outro lugar…

O ato acaba com a cara em uma mistura visivel de variados sentimentos. Com tristeza, ternura, felicidade por ter compartilhado aquilo, um sorriso sincero de quem não parece estar acreditando no que acabou de acontecer, um rosto pedindo para que tenham pena dele, quase que pedindo para que seu ouvinte fale algo para que lhe tire do transe, algo que lhe conforte mas nem mesmo ela própria tem certeza de que nada que lhe fale a confortaria, é assim que acabaria.

São devaneios como este  que me lembram os mesmos que pertencem as personagens de Machado de Assis. O mais impróprio de tudo é que o único livro dele que já li foi Dom Casmurro. Mas em minha defesa assisti a uma aula de Literatura em que seus contos foram um dos focos. Foi naquela mesma aula que eu e meu colega, entediados com nosso desinteresse por autores brasileiros, começamos a prestar atenção no que o professor dizia pela infinita insistencia dele de falar – né! – era muito engraçado e antes mesmo de acabar o primeiro período cansamos ao chegar no número de 186. É muito bom aprender, e melhor ainda compartilhar o que aprendemos com quem nos ensina. Obrigada.

¹ sentidos levemente alterados

² felicidade

 

dirty dancing

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